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Algas filamentosas no viveiro: como prevenir e controlar
Resposta rápida: Algas filamentosas (o limo) crescem quando a água fica transparente e a luz chega ao fundo. A prevenção é deixar a água verde de microalgas logo no início do ciclo, não usar adubo fosfatado e não construir viveiro raso. Com o peixe dentro, o controle combina remoção com rede, tratamento por partes e peixes herbívoros como a carpa capim, sempre com aeração de reserva.
Por que o limo toma conta
O pesquisador Fernando Kubitza, na Revista da ABCC (2021), aponta três causas principais:
- Água transparente demais. A luz chega ao fundo e alimenta as algas e plantas que nascem ali. Renovar água em excesso e ter muito zooplâncton comendo as microalgas deixam a água clara.
- Viveiro raso. Margens com menos de 0,6 a 0,8 m de profundidade viram berçário de planta submersa.
- Fósforo sobrando, quase sempre por adubação fosfatada desnecessária.
O problema não é só estético. À noite, a massa de algas consome oxigênio; de dia, faz o pH subir. Na despesca, embola na rede e prende peixe pequeno.
Como prevenir no preparo do viveiro
- Drenar e retirar as algas e plantas que sobraram no fundo antes de encher.
- Bombear um pouco de água verde de um viveiro em produção para inocular microalgas.
- Fechar a entrada de água depois de encher. Não renovar no começo do ciclo.
- Adubar com nitrogênio, sem fósforo, até a transparência do disco de Secchi ficar perto de 40 a 50 cm. Kubitza cita doses de 20 a 25 kg de N por hectare por semana.
- Corrigir a alcalinidade com calagem, que ajuda o fitoplâncton a se estabelecer.
Como controlar com o peixe dentro
- Pare a renovação de água e não aplique adubo, que só alimentaria o limo.
- Retire com rede de malha fina os aglomerados das margens, com cuidado com os peixes.
- Trate por partes. Se usar algicida à base de cobre, o tratamento é feito em cerca de 20% da área por dia. A dose segura depende da alcalinidade da água, por isso medir a alcalinidade antes é obrigatório. Matar tudo de uma vez derruba o oxigênio.
- Tenha oxigênio de reserva. Alga morrendo consome oxigênio ao se decompor. Aerador pronto e OXITRAT no barracão evitam que o controle vire mortalidade.
- Degrade o que afundou: o BACTRAT P ajuda as bactérias a consumir a matéria orgânica que as algas mortas deixam no fundo.
Carpa capim: o controle biológico
A carpa capim come algas filamentosas e plantas submersas tenras e não se reproduz em viveiro. Os números do artigo de Kubitza:
| Referência | Valor |
|---|---|
| Tamanho eficiente | acima de 20 cm |
| Estocagem usual | 50 a 200 carpas de 25 a 30 cm por hectare |
| Pelo tamanho da infestação | 5 a 25 g de carpa por m² de área coberta por plantas |
| Consumo diário | 30 a 45% do peso corporal em plantas (carpas maiores) |
Comece pela biomassa de carpa, e não pelo número de peixes, e ajuste pela observação: se o limo não recua, coloque mais.
Perguntas frequentes
Por que o viveiro fica cheio de limo?
Porque a água está transparente e a luz chega ao fundo, geralmente com fósforo sobrando e margens rasas.
Quantas carpas capim colocar por hectare?
Em geral 50 a 200 carpas de 25 a 30 cm por hectare, ajustando pela área infestada: 5 a 25 g de carpa por m² coberto de plantas.
Posso tratar o viveiro inteiro com sulfato de cobre de uma vez?
Não. A morte das algas consome oxigênio. Trate cerca de 20% da área por dia, com aeração pronta e dose calculada pela alcalinidade, com orientação técnica.
Fontes
- Kubitza, F. (2021). Algas filamentosas: como prevenir ou controlar. Revista da ABCC, ano XXIII, nº 3, p. 35–37
- Boyd, C. E.; Tucker, C. S. (1998). Pond Aquaculture Water Quality Management. Kluwer Academic Publishers
- Biotecnal (2025): Guia Prático Aquicultura de Resultado e boletins técnicos da linha Aqua

